Jacarés dos Brasil #3 - Caiman crocodilus

Esse cara é chamado por diversos nomes pelo Brasil a fora. Jacaretinga, jacaré-de-óculos ou para os íntimos, somente tinga e coleciona admiradores por onde passa.


No entanto o seu verdadeiro nome é outro...

Estamos falando do doce e extremamente adaptável Caiman crocodilus.


E esse nome “tinga” veio de onde?

Ah, esse Caiman crocodilus têm história...


Seu nome é originado da palavra tupi guarani “tinga” que significa “branco” ou “pardo”. Olha a importância desse animal. Completamente envolvido com os nativos da nossa terrinha. O nosso jacaretinga é um amigo antigo das populações indígenas brasileiras e por isso recebeu esse nome para lá de especial. Mas têm justificativa.


Vou contar logo mais para vocês.

Ele é um cara bem relacionado. Além de ser a espécie de crocodiliano mais abundante da América Latina, ele pode ser encontrado em países como Costa Rica, Colômbia, Equador, El Salvador, Guiana, Guiana Francesa, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Suriname, Trinidad e Tobago e Venezuela. Em território brasileiro, podemos encontrar o nosso amigo caiman da região amazônica, até a minha terrinha, o Ceará.


O nosso adaptável crocodiliano curte qualquer tipo de ambiente aquático. Uma das suas principais características é a facilidade de “montar um lar doce lar” em qualquer ambiente de água doce ou salobra.

Com a alimentação não é diferente.

Assim como outros crocodilianos, o nosso amigo possui uma dieta “sem humanos” (é importante lembrar!). Um cardápio diversificado ao longo do crescimento do “jovem tinga”, com invertebrados terrestres, para o “adulto tinga”, com moluscos e peixes de maneira gradativa.


Com esse tipo de alimentação sem grandes presas, podemos imaginar que o tinga não cresce muito na natureza, diferente do nosso já conhecido amigo jacaré-açu (Melanosuchus niger). Não lembra dele? Então confere a primeira matéria sobre os Jacarés do Brasil que trabalha com o lema “comer, comer... é o melhor para poder crescer!”.


O tamanho do jacaré-tinga

Diferente do nosso “king Açú”, o nosso carismático tinga apresenta tamanhos modestos. Os machos quando adultos, podem alcançar 3m de comprimento e as tímidas fêmeas, atingem um tamanho um pouco menor.


A construção da família “tradicional brasileira tinga” também é bastante precoce. Esses caras atingem a maturação sexual na região da amazônica entre 4,5 e 6 anos de idade. Após o “encontro amoroso”, que pode ocorrer com diversos machos diferentes, as fêmeas são responsáveis pela construção dos ninhos (girls power!).

As futuras mamães escolhem locais elevados, um pouco longe das margens dos corpos d’água (protegendo os ovos da inundação dos rios), colocando os ovos sobre uma cama de folhas e cobrindo com restos de vegetação. Assim, os protege olhares curiosos e indesejáveis e mantém a temperatura.


A ninhada do Caiman crocodilus

O número de ovos está ligado ao tamanho da mãe, idade e condição nutricional. Sabemos que uma gravidez não é fácil, né meninas? E não seria diferente para as “mamães jacarés”. Há grandes variações na postura com ninhos de 17 até 41 ovos na Amazônia central.


Entre a postura dos ovos e a eclosão, as fêmeas ficam fazendo a segurança do ninho por até 70 dias, uma prática chamada cuidado parental. E lá vem mais uma curiosidade sobre os crocodilianos.

Você sabia que crocodilianos são os répteis que mais apresentam cuidado parental com suas proles?

Engraçado né? Eles apresentam essa cara “mais fechada e de poucos amigos” mas são caras de família! Existem pássaros que não cuidam tanto da sua ninhada quanto uma mamãe crocodiliana e isso foi fundamental para a sobrevivência dos nossos amigos escamados no planeta terra ao longo de milhões de anos.


Mas a pergunta que não quer calar é...

E esse tinga? De onde veio que o Caiman crocodilus é pardo ou até mesmo branco?

Quando jovens, esses animais apresentam uma tonalidade mais clara no dorso, com manchas e faixas mais escuras pelo corpo. Com o passar do tempo, na fase adulta, esse animal assume uma cor verde oliva, mas daí o nome já pegou, né? Então os nativos acabaram por batizar o nosso caiman, carinhosamente de “tinga” ou jacaretinga.

Apesar de todas essas estratégias de sobrevivência e da interação com a cultura brasileira, o nosso jacaretinga está sofrendo muito com a destruição e perda do seu habitat, influência cultural e caça ilegal. A construção de usinas hidrelétricas implica na diminuição do território do C. crocodilus. Como estudamos, ele é um cara que se adapta a diversas situações, mas não dá para fazer milagres né?


E qual é a saída, Bruna?

Ações de conservação e preservação para as áreas de ocorrência do C. crocodilus são fundamentais para salvar a espécie. Chamar a atenção da sociedade brasileira para a importância desses animais como patrimônio nacional e mundial também ajuda a desenvolver um sentimento de “obrigação de cuidar” para com estes seres que tem tanto para nos ensinar.

Também trouxemos a palavra de um especialista no assunto para completar nossa conversa!

O pesquisador Igor Joventino Roberto é Doutor em Zoologia pela Universidade Federal do Amazonas e trabalhou com a espécie durante anos.

Até a próxima, pessoal! ♥

O Projeto Caiman é uma realização:


- Instituto Marcos Daniel; @imdbrasil


- Projeto Caiman; @projetocaiman


Parceira:

- Instituto Últimos Refúgios; @ultimosrefugios


Texto:

- Bruna Eleutério; @artedevet

- Fernando Paulino; @inando.bio


Ilustração:

- Fernando Paulino; @inando.bio


Fotografias:

- Igor Joventino roberto;


Vídeo:

- Igor Joventino roberto;


Agradecimentos:

- Crocodyliabrasil; @crocodyliabrasil

- Marcelo Renan Santos; @mrenansantos


Patrocínio:

- ArcelorMittal Tubarão; @arcelormittaltubarao

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